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Um comentário sobre a desnecessária fragmentação da profissão designer

Eu estava pra escrever um artigo comentando como a pulverização do trabalho do Designer está atrapalhando profissionais e empresas, criando profissões cada vez mais fragmentadas e tão especializadas que chega a ser uma piada. Até que eu li o artigo do Jonas Downey, escrito no canal do Signal v. Noise, que descreveu tudo o que eu gostaria de falar e mais um pouco.

O artigo é esse aqui: The Unnecessary Fragmentation of Design Job

Em conjunto com esse artigo, sugiro que você ouça o episódio do Podcast Movimento UX, onde o Felipe conta um pouco sobre o processo que eles praticam na Work & Co. Nesse episódio (por volta do 1h09), o Felipe fala que houve um momento que por algum motivo, o mercado quebrou a disciplina do designer em duas funções: designer visual e designer de experiência.

“Essencialmente essa disciplina, qualquer que seja o nome que a gente dê para ela, é uma disciplina que foca muito nas pessoas, no lado humano da coisa. Você tenta realmente humanizar a experiência, fazendo uma coisa para um público especifico, entendendo esse público e realmente focando nisso.” — Felipe Memória

Eu nunca entendi a separação entre as disciplinas de UX e Visual Designer. Esse é até um assunto bastante sensível para alguns. Geralmente a galera não gosta de entrar em polêmica e acabam deixando discussões como essa para depois. Mas, na minha humilde opinião, UX nunca fez sentido. O nome UX é para mim um nome muito ruim, que dá a entender que a experiência do usuário é responsabilidade de apenas um profissional, o que é uma grande bobeira. Infelizmente esse nome fixou no mercado. O Felipe Memória comenta que a experiência do usuário é um tema muito mais amplo, que contempla uma série de fases na produção de um projeto. Ele diz que lá na Work & Co não existe o cargo de UX, mas todos são Designers, exatamente porque Designer é uma disciplina que não vai morrer daqui 5, 10, 100 anos… O termo UX pode morrer daqui um tempo, assim como os nomes Web Designer, Arquiteto de Informação e tantos outros nomes morreram dando lugar para um outro termo da moda e que também tem grandes chances de não perdurar.

Uma pergunta: é uma boa prática trabalhar a função e forma separadamente? Um bom design precisa ser bonito e funcional. É estranho ter alguém que pensa na função primeiro pra depois uma outra pessoa pensar na forma. Alguém que equilibre essas duas funções é o verdadeiro Designer. É esse profissional que tem o bom senso aguçado, e que vai conseguir pesar a importância da função e da forma nos momentos certos no desenho de um layout.

“What’s the difference between UX and UX/UI and UI? Isn’t Product also UX/UI? Isn’t a Front End a UI? What’s a Graphic Designer with UX & UI Focus? And isn’t all of this Visual/Digital design? "— Jonas Downey

A profissão de UX é muito mais do que fazer um simples Wireframe. Na verdade o Wireframe é apenas um resultado de um tempo gigante de pesquisas e entrevistas. Mas entender o problema, pensar em soluções alternativas, quebrar a cabeça fazendo protótipos, pesquisar e entrevistar pessoas são tarefas que um Designer precisa fazer para dar a luz à uma interface que seja realmente bonita (forma) e também resolva um determinado problema (função). Isso não é UX, isso é apenas Design. São dois momentos, em uma mesma tarefa, de um mesmo profissional.

Quem nunca presenciou um atrito básico entre o UX, que faz uma tela super burocrática, levando em consideração apenas a função, com todos os requisitos necessários para o usuário executar uma ação, enquanto o designer briga porque essa tela nunca vai ficar bonita, puxando a sardinha apenas para o lado da forma. Os dois não conseguem encontrar um equilíbrio e o resultado pode ser desastroso para o usuário, que ganha um design bonito, mas oco e ordinário ou uma tela feia, sem atrativo nenhum, mas que tem um fluxo agradável.

“Na Work & Co, a gente coloca o time de design inteiro pra pensar na única coisa que importa durante a maior quantidade de tempo possível. Nos concentramos no principal caso de uso e redesenhamos infinitamente, na base da tentativa e erro, até chegar em algo interessante.” — Felipe Memória

Eu não estou dizendo que apenas uma pessoa pode solucionar a fome do mundo. Mas eu também aposto muito no Perfil T, não apenas para desenvolvedores, mas também para Designers. Você pode ter um Designer que tenha uma facilidade maior para lidar com usuários, outro que com capacidade acima da média para estruturar e organizar a arquitetura da informação, outro que tem skills avançadas no desenho da interface etc etc etc. Aceitar e respeitar a especialidade de cada profissional é importante para montar um time que tenha integrantes que se complementem, de acordo com o talento e a facilidade de cada um.

Mas por favor, não diga que apenas um personagem é responsável pela experiência do usuário, por que isso não é real. É exatamente por isso que o nome UX e também a profissão isolada de UX não faz sentido nenhum.

Publicado no Medium do Tableless

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