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# Existe cultura de produtos?
- URL: https://diegoeis.com/nao-existe-cultura-produtos-digitais/
- Published: 2020-08-17T00:00:00.000Z
- Updated: 2022-08-04T15:31:04.000Z
- Author: Diego Eis
- Tags: Gestão e liderança de Produtos, #blog, #Import 2024-11-06 15:43

*Esse texto foi publicado muito antes na [PM Letter](https://pmletter.substack.com/). A Newsletter feita para PMs e pessoas que trabalham com produtos digitais. [Assine e entre](https://pmletter.substack.com/) para um grupo de mais de 1410 pessoas.*

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Transformação Digital. Essa buzzword ficou no mainstream durante muito tempo. Empresas procurando se reinventar com o intuito de virarem “empresas de tecnologia”. Obviamente, chega o momento que a vida real sacode o acampamento hippie e algumas das empresas têm a sensação de que não é só aplicar Agile para que a transformação digital acontecesse. Aliás, só as que sobreviveram à “transformação digital” fake é que podem perceber isso. Há uma grande parte das empresas que não resistiram às mudanças ou ainda estão tentando descobrir o motivo pelo qual a implantação da “Agilidade” não deu certo.

Para aquelas empresas que passaram de fase, chegando de uma forma ou outra em um nível mais avançado no jogo da transformação, descobrem que o Agile faz parte de algo maior chamado “cultura de produtos”:

- É aí que todos os POs da empresa ganham um banho de loja de nomenclatura, passando a se chamar APM, PAN, GPM, Tech PM, PM Ops...
- Agora as pessoas fazem parte de Squads.
- A adoção de OKRs se torna oficial.
- O Jira vira ponto de encontro do time e todos têm uma conta no Miro.
- PMs passam a usar Metabase e designers passam a se chamar Product Designers.
- Discovery é obrigatório. Assim como frases do Marty Cagan adesivadas na parede.
- Os devs também participam ativamente de todo o processo de discovery, porque agora eles querem entender as dores do usuário.
- Meetups são organizados e termos como “soluções inovadoras, disruptivas com visão de longo prazo e alinhados com o seu propósito de vida” são largamente usados nas entrevistas.

E novamente, todos erram. Erram pois não sabem o que é uma Cultura de Produtos. Empresas assim acham que basta colocar todos os artefatos em um mesmo lugar que algo mágico vai acontecer. Você já teve a sensação que há um kit padrão para formar e criar uma empresa de Produtos/Tecnologia?

## O que é Cultura de Produtos na minha opinião

Na minha opinião ter uma Cultura de Produtos não se trata de colocar o usuário no centro do processo. Não é pensar no Problema primeiro em vez da Solução. Não é vestir uma camiseta de “My Product, my rules” (alias, já vi PMs vestindo isso. Patético.)

Pra dar um contexto melhor, eu quero te perguntar: você não acha estranho apenas o “time de produtos” pensar ou ser o responsável por “entregar valor para o usuário e para o negócio”?

Oras, a empresa existe pra gerar valor para seus clientes e principalmente para o seu negócio. E o negócio só existe e é sustentado por causa de diversas pessoas (com diversas especialidades) focadas em gerar resultados. Então, por que só o “Time de Produtos” teria a responsabilidade nobre de entregar o valor para o usuário e para o negócio? Para mim soa tão estranho quanto ter um time de inovação.

Essa tal de cultura de produtos existe a partir do momento que nós quebramos esse muro que separa o resto da empresa do time de produtos, afim de que toda a empresa tenha times interdisciplinares, com tantas especialidades que forem necessárias para **facilitar a criação de valor por meio do serviço a partir da experiência do usuário**.

## Interdisciplinaridade em vez de Multidisciplinaridade

Quando eu trabalhava na Easynvest, o time que eu fazia parte era responsável pela jornada de escolha de produtos financeiros nas plataformas digitais. Nosso escopo começava desde a fase de colocar dinheiro na sua conta até o momento final do processo de investimento. Logo, percebemos que não fazia sentido o time ser formado apenas por Designer, Devs e PM, mas que precisávamos de alguém de Marketing pra comunicar os clientes sobre os novos produtos disponíveis. Fazia sentido ter alguém de Pricing, porque poderíamos começar a trabalhar com preços dinâmicos. Fazia sentido ter alguém do comercial, trabalhando junto com alguém de dados, para fazermos estudos melhores afim de arranjar produtos mais adequados às necessidades e a demanda dos usuários da plataforma. Antes de eu sair de lá, já estávamos com Marketing e Pricing no time, e estávamos nos preparando pra receber alguém da mesa de negociação.

Me parece que tudo volta ao começo do ciclo: uma empresa com pessoas focadas em um mesmo objetivo.

Então, a pergunta original não seria sobre como implementar uma cultura de produtos, mas sim sobre como construir e disseminar uma cultura empresarial adequada, saudável, motivadora e acima de tudo imbuída de propósito.

## Concluindo

Com certeza você deve se perguntar agora: **ok, mas quem faz a gestão desses times? Se tiver um Team Lead, ele vai ter que precisar manjar de todas as especialidades? O PM vai gerir o backlog da pessoa de Marketing e Comercial?*

Se esse for seu pensamento, nós teremos que conversar mais sobre novas maneiras de fazer gestão de times. Mas fica pra um próximo texto. Pra começar, fique alerta na minha [newsletter pessoal](https://diegoeis.substack.com/). Vou publicar um texto de um review de livro incrível sobre equipes auto-geridas.