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# Os dois front-ends: designer e engineer — Parte 1 : Uma breve história
- URL: https://diegoeis.com/os-dois-front-ends-designer-e-engineer-parte-1-uma-breve-historia/
- Published: 2018-05-11T00:00:00.000Z
- Updated: 2025-07-08T01:13:11.000Z
- Description: O perfil do desenvolvedor front-end mudou e se transformou em dois (talvez mais) perfis diferentes. Entenda como tudo começou e saiba em qual perfil você se encaixa mais.
- Author: Diego Eis
- Tags: #blog, Web Development, Mercado de Tecnologia, #Import 2024-11-06 15:43

**Os outros dois artigos dessa série:**

[Os dois front-ends: designer e engineer — Parte 2: Os dois perfisObservamos como as evoluções tecnológicas moldaram distintos perfis profissionais, especializados tanto em design quanto em engenharia.![](https://diegoeis.com/content/images/icon/avatar.jpg)diegoeis.comDiego Eis![](https://diegoeis.com/content/images/thumbnail/photo-1598770220477-cec551a23f53)](https://diegoeis.com/os-dois-front-ends-designer-e-engineer-parte-2-os-dois-perfis/)

[Os dois front-ends: designer e engineer — Parte 3: Questionando as responsabilidades de um front-endTerceiro artigo da série onde eu tento explicar meu ponto de vista sobre como o profissional front-end está se transformando.![](https://diegoeis.com/content/images/icon/avatar-1.jpg)diegoeis.comDiego Eis![](https://diegoeis.com/content/images/thumbnail/photo-1598770220477-cec551a23f53-1)](https://diegoeis.com/os-dois-front-ends-designer-e-engineer-parte-3-questionando-as-responsabilidades-de-um-front-enda/)

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O **menino do HTML.** Essa era a visão padrão que o mercado web tinha do front-end por um motivo simples: front-end não tinha responsabilidades importantes. Pelo menos era o que o designer, o back-end e os clientes (resumindo: o mundo) achavam.

O designer e o back-end detinham as grandes responsabilidades de um projeto. Enquanto um definia o layout, fluxo do sistema e como seria o comportamento do usuário no projeto, o outro fazia tudo isso funcionar. Ele era o cara que manjava de servidor, modelagem de banco de dados, linguagens de servidor e toda mandinga.

Por sua vez, o front-end não se encaixava em nenhum dos dois extremos. Ele fazia código, **mas o código não funcionava sozinho, sem linguagem de servidor envolvida**. Ele transformava o layout para código HTML/CSS/JS, mas **o layout não era ele que havia feito**. Junte isso com o fato de que NINGUÉM sabia exatamente o que era desenvolvimento para internet e pronto: um homem foi jogado ao mar.

**Era uma época infeliz.**

Mas hoje vivemos nos tempos modernos. Vivemos num momento onde a tecnologia parece não ter fronteiras e o desenvolvimento web vive numa evolução contínua de ferramentas e novos padrões, transformando a Web numa plataforma real para o futuro (há controvérsias).

## MVC: quem determinou até onde vai o front-end e onde começa o back-end?

Essa coisa de limites entre back-end e front-end sempre foi uma polêmica.

Em todos os projetos, de todos os tamanhos, era necessário haver uma conversa entre os desenvolvedores e os front-ends — **sim, as pessoas separavam os devs "verdadeiros" dos front-ends… briguei muito com isso nas empresas onde trabalhei** — para combinar até onde o back-end iria, para que o front-end pudesse implementar o layout.

Em uma época não muito distante, todo mundo trabalhava ou queria trabalhar em projetos com estrutura MVC. [Você pode saber o que é a estrutura MVC aqui](https://tableless.com.br/entendendo-o-padrao-mvc-na-pratica/?ref=diegoeis.com).

Alguns times preferiam que o back-end fosse até a camada de Model. O front-end era o responsável então por montar as Controllers para manipular as Views. Em outros times, os front-ends preferiam que os back-ends fossem até as Controllers para que eles ficassem responsáveis apenas pela View.

Nem preciso dizer que era uma grande confusão, pois se você seguir a lógica, o front-end só mexe no client-side. A Controller é a área cinza. É na Controller que intermediamos o Model (só dados, faz sentido ficar com back-end) e a View (totalmente client-side, faz sentido ficar com front-end).

Tinha outros times que combinavam que todo mundo podia mexer na Controller. Obviamente não dava certo.

## Até que veio a era das APIs e o início da depressão

Quando todo mundo começou a trabalhar com APIs, microserviços, webservices e todas as outras tecnologias relacionadas, foi aí que a coisa começou a se organizar.

**Com a criação de APIs havia um limite claro entre back-end e front-end**: o back-end criava os endpoints e o front-end lia as informações contidas nesses endpoints e fazia o que tinha de ser feito. O único acordo que as duas partes deveriam fazer era como a estrutura desses dados seria exposta: o famoso contrato.

> As APIs ajudaram a demarcar um limite de atuação dos back-ends e front-ends. A briga entre os dois lados cessou um pouco e a coisa começou a andar decentemente.

Com isso, a briga entre os dois mundos acabou. Mas infelizmente nem tudo são flores. Com a chegada das APIs, uma série de complexidades foram criadas para o lado do front-end. Alguma da lógica e da regra de negócio começou a ficar do lado de front-end. Agora não era só exibir informação na interface do layout: alguém precisava gerir os estados de componentes, lidar com rotas, gerenciar tokens de acesso, segurança e tudo o mais.

Foi aqui que centenas de frameworks e bibliotecas JS surgiram (e morreram) da noite pro dia, tentando resolver os problemas que antes eram de back-end, no client-side.

## Todo mundo ficou desconfortável, mas a coisa andou

**No meio dessa mudança toda, muitos front-ends não estavam acostumados a lidar com lógica e regras de negócio que agora estavam transbordando para o lado do client-side,** exatamente porque a praia deles era escrever CSS e Javascript para interface.

Nessa revolução, houve um breve momento onde o Javascript ganhou MUITA visibilidade. E aí os front-ends que sabiam MUITO Javascript se destacaram. Isso era bom e ruim. Os front-ends que não gostavam ou não sabiam trabalhar com programação pesada de JS acabaram se decepcionando. Houve um momento onde era até **vergonhoso dizer que não manjava de JS, e só sabia trabalhar com JS para interface.**

Aí aconteceu de tudo um pouco: **vários devs não se consideravam mais devs, exatamente porque eles só sabiam CSS e HTML com um pouco de JS** para interface e achavam que não tinham competência para fazer toda essa coisa nova. Outros simplesmente não gostavam de lidar com lógica, mas adoravam a parte visual.

Em paralelo, o mercado mudou de vez: teve front-end que virou back-end. Teve back-end que virou front-end. Teve front-end que saiu da área. Teve empresa que demitiu back-end pra contratar front-end, dado que o trabalho de integrar API na interface se tornou maior que fazer APIs. Uma revolução total na área.

## Mas desse balaio saiu uma reformulação do perfil do desenvolvedor front-end

Dois perfis de profissionais ficaram bem claros no mercado:

- Um dev que manjava MUITO de interface. Que dominava CSS como ninguém e todos os truques de JS para manipular elementos no DOM, além de conseguir lidar com o designer discutindo soluções de layout;
- E outro profissional que tinha uma grande facilidade para a parte funcional da coisa. Ele não era um back-end, mas conseguia discutir soluções funcionais de igual para igual.

No próximo artigo, quero falar um pouco sobre cada um desses perfis e como eles se encaixam no desenvolvimento de software atual.

## Bônus para quem está começando agora

Abaixo, segue uma imagem muito interessante que o [Kamran Ahmed](https://medium.com/u/d4eb92ea1991?ref=diegoeis.com) fez no seu artigo [Modern Frontend Developer](https://medium.com/tech-tajawal/modern-frontend-developer-in-2018-4c2072fa2b9c?ref=diegoeis.com), mostrando uma opção de caminho que geralmente alguém toma para se tornar um front-end. Fica como referência, mas não como verdade. Talvez o início possa acontecer igual para todo mundo, mas no meio do caminho pode haver algumas mudanças de pessoa para pessoa. Mesmo assim é uma grande referência.

![](https://diegoeis.com/content/images/2025/07/1-w9QmGI34BP7sDpbyMoj7LQ.png)