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Review de Livro - Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas

O começo do livro já mostra o quão longe um autor de ficção científica pode ir. Imagina você criar uma ovelha. Agora imagina você criar uma ovelha elétrica. Imagina você ter um sintetizador que controla seu humor, onde você sintoniza o canal de um humor específico e aquilo te influência de forma direta, te fazendo sentir feliz, ou realizado com o trabalho, ou com vontade de obedecer as ordens da esposa, etc etc etc… esse é o início do Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?.

O livro é bastante simples de acompanhar. Não tem tantos personagens para prestar atenção e a história é bem interessante. Senti falta de descrições da cidade e de alguns ambientes. Mas isso dá pra resolver procurando por imagens do trabalho de arte conceitual de Blade Runner. Gostei bastante de como a Terra é descrita como bagunçada e vazia, mas ao mesmo tempo cheio de tecnologias avançadas como hovercar e vidfones… A forma como os “bagulhos” são multiplicados, fazendo analogia a como lugares desorganizados e a sujeira consegue se proliferar rapidamente, me lembrou da história da Janela Quebrada.

O enredo é bem diferente de Isaac Asimov, por exemplo, onde os robôs são vistos como coisas inofencivas e direcionados a seguir as 3 leis do cérebro positronico. No mundo de Philip, os robôs mais avançados podem ser perigosos, embora robôs com inteligência mais limitada executem tarefas triviais para ajudar os seres humanos. Contudo, há uma similaridade entre os tipos de andróides, onde tanto na série Robôs de Asimov, quanto no livro de Philip, os andróides mais avançados se parecem demais com seres humanos. Ainda mais em Ovelhas, onde os Nexus-6 são praticamente se confundem com seres humanos ao falar e todo o resto. O que faz surgir a pergunta: o que nos torna humanos? A aparência pode ser perfeita, tanto que o Deckard até se sente atraído por uma Androide. Mas o que realmente vai diferenciar um andróide de um ser humano? Ter órgãos é um simples detalhe se a aparência, forma de falar e trejeitos pessoais forem imitados pelos Andróides. Essa é uma questão tão legal de discutir quanto o teste Voigt-Vampff (tipo um detector de mentiras), usado para descobrir se alguém é um humano ou um andróide, medindo o nível de empatia das respostas a perguntas que evocam determinadas emoções. E aí vem a diferença entre um humano é um andróide: emoção e empatia pelas coisas a sua volta. O que o livro expõe com muita sutileza durante toda a história.

Recomendo demais.

Link do GoodReads.