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Sobre se livrar de uma hipertensão e um câncer

O Cardiologista

Eu me sentia muito mal todas as vezes que me levantava. Tontura, visão escurecendo, cansaço e principalmente pressão alta (15.9) me levaram a visitar um cardiologista.

Chegando lá ele mediu minha pressão, pediu uma série de exames e me disse mais ou menos assim: “Não posso dizer que você é hipertenso até fazer esses exames pra confirmar.”

Fiz os malditos exames, incluindo aquele que fica medindo sua pressão o dia inteiro e aquele de correr na esteira. Levei os resultados e ele me disse assim: “Hipertensão leve. Vou receitar um remédio controlado. Você toma esse remédio durante três meses, todos os dias. Além disso você precisa chegar nos 90 quilos. Depois desse período, refaça os exames e volta aqui.”

Eu já tomo um remédio para controlar a tireóide todos os dias e não é algo legal. Eu não queria colocar um remédio de pressão na minha lista. Com uns 60 anos, ok… mas com 30?

Outro ponto foi a parte sobre chegar aos 90 quilos. Eu estava pesando na época 113 quilos. O sem noção queria que eu perdesse 23 quilos em 3 meses.

A família inteira da minha mãe é hipertensa e por isso pode ser que eu tenha essa tendência também. Não tinha para onde correr.

Mas como o Cris Dias sempre diz: “Vida de babaca é atribulada.” E claro, a parada sempre pode piorar. Se eu já estava achando chato ter que fazer exames, tomar remédio controlado e perder peso, eu nem imaginava o que iria acontecer nos próximos capítulos.

O Gastro

Foram 5 dias cagando sangue. Literalmente. Precisa ser corajoso pra dizer isso. Mas foi isso que aconteceu. Quando contei pra minha mulher, obviamente ela se desesperou o suficiente pra me obrigar a ir ao hospital naquela noite. Eu estava com ela em uma confraternização com o pessoal do trabalho e na hora de voltar pra casa resolvi deixar minha macheza de lado e contei para ela o que estava acontecendo.

Essa é uma vantagem de ter uma companheira. Ela serve de contraponto à suas atitudes imbecis. Se dependesse de mim, talvez eu tivesse esperado mais 5 dias ou até meses. Mas ainda bem que ela me fez ir ao hospital naquela noite, aquela hora. A parte constrangedora: colonoscopia

Chegando lá, expliquei o que estava acontecendo comigo para ao médico. Ele disse que não poderia dizer o que estava acontecendo até fazer um exame. Foi a primeira vez que ouvi a palavra Colonoscopia. Não vou me aprofundar nesse assunto. Faz uma pesquisa no Google que você descobre o que é esta merda. Ainda bem que você só faz esse tipo de exame sedado. Desesperador, muito constrangedor, mas necessário.

O susto

Peguei os resultados e levei para o meu gastro avaliar. Foi quando ele olhou pra mim e disse: “Seu santo é forte”. Ninguém diz isso pra outra pessoa quando algo bom acontece. Até poderia, porque já que o santo é forte, essa deveria ser uma boa notícia. Mas como na vida nada é fácil, esse ditado quer dizer exatamente o contrário. Sabendo disso, perguntei pra ele, um pouco relutante, o motivo do meu santo ser tão forte. Ele prosseguiu: “Daqui 5 anos você viria aqui dizendo que estava com dores. Aí descobriríamos que você estaria com câncer no cólon.”

Pausa durante alguns segundos. Olhei fixo pra minha esposa. Voltei a olhar pro médico que ainda estava vasculhando as fotos e os resultados do exame. Pedi pra ele repetir. Ele me explicou que retiraram 2 pólipos do meu intestino. Esses pólipos não costumam sangrar e quase sempre são descobertos em estágio avançado. Sacou? Eu só ia descobrir quando fosse tarde demais. Eu nunca imaginaria que diria isso um dia, mas nunca fiquei tão feliz em ter cagado sangue.

Pólipos no intestino são difíceis de se tornarem malignos. Mas eu havia sido sorteado. Poderia ser genético ou não. Mas isso é algo que ainda preciso descobrir com a ajuda de um oncologista.

Saúde

Foi depois desses dois episódios que resolvi cuidar da minha saúde. Comecei um processo intenso e doloroso que durou um ano com o objetivo de tentar reverter esses exames. Os dois médicos destacaram que esses sintomas não eram normais na minha idade (30). Esse era um indicativo de que eu estava muito ferrado e que meus hábitos até então estavam me maltratando. Nós estamos tão acostumados a não se cuidar, a não comer direito, não dormir direito etc que nem sabemos mais ouvir o nosso corpo e isso é ruim.

Decidi fazer duas coisas óbvias: reeducação alimentar e exercícios regulares. Eu descobri que essas duas tarefas não são algo que tem inicio, meio e fim. Não é um processo linear, entende? Depois que você reeduca sua alimentação, você vai ter que mantê-la durante toda a sua vida. A mesma coisa com o exercício. Você não quer fazer nenhum dos dois, nunca… é aí que vem o desafio: ir contra a sua natureza. Todos os dias. Mas há recompensas.

Voltando ao cardiologista

Três meses depois da primeira visita ao cardiologista, eu emagreci míseros 5 quilos. Isso foi o suficiente para melhorar meu colesterol, triglicérides, pressão e uma pancada de outras coisas. Eu não cheguei nem perto dos 90 quilos que ele mandou, pelo contrário, eu ainda estava com 108 quilos, mas com uma alimentação mais saudável e uma rotina mais ou menos frequente de exercícios.

Quando voltei ao Cardiologista, ele me avaliou assim: “você é uma máquina em perfeito funcionamento!”. Brincadeira. Na verdade ele me disse que eu não fazia mais do que a minha obrigação.

Mas ele suspendeu o remédio (que eu nem cheguei a tomar porque queria provar que eu podia controlar minha pressão só com a alimentação e exercício… deu certo) e me falou pra continuar seja lá o que eu estivesse fazendo.

Voltando ao Gastro

Agora faltava apenas o resultado do gastro, que havia me dado um diagnóstico mais assustador. Logo que entrei na sala ele soltou: “Se livrou de uma braba ano passado, hein?”, me lembrando dos episódios anteriores. Ele me encaminhou novamente para os exames. Os resultados não poderiam ser melhores. Não havia resquícios de coisa alguma. Tudo limpo. \o/

Mesmo assim ainda preciso fazer acompanhamentos regulares nos próximos anos por precaução. Não dá pra descuidar em casos como esse.

Hoje estou com 98 quilos. Ainda não cheguei nos 90, mas pretendo chegar lá nos próximos meses. Mas é incrível como eu me recuperei nesse último ano perdendo algo em torno de 14 quilos e não seria exagero se eu dissesse que me livrei de uma hipertensão e um câncer apenas com a reeducação alimentar e uma rotina ativa de exercícios.

Mudança de hábito e força de vontade

Conheço muita gente que não consegue mudar seus hábitos alimentares ou o seu estilo de vida. As vezes falta incentivo e força de vontade. Torça pra que esse incentivo não seja igual aos que eu tive. Precisei ter muita força de vontade e principalmente perseverança pra mudar hábitos enraizados durante uma vida inteira, pra enfim, obter bons resultados nos exames. Preciso me lembrar todos os dias sobre o que aconteceu pra poder continuar o processo. Eu não vou mentir: é muito chato escolher sua comida todos os dias baseado na obrigação e não no prazer. Controlar o apetite é um dos desafios mais difíceis que um ser humano pode ter. Enfrentar baratas é o segundo.

Se você leu o texto até aqui, obrigado. O texto pode não ter expressado o quanto fiquei assustado. Mas acredite, foi tenso. Eu queria compartilhar essa experiência porque realmente me ajudou a mudar. Talvez sirva de inspiração, talvez não. Mas que pelo menos sirva pra você reavaliar seu estilo de vida e seus hábitos alimentares. Amplexos!