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# Workism - Nosso trabalho, nosso templo
- URL: https://diegoeis.com/workism-nosso-trabalho-nosso-templo/
- Published: 2022-02-08T00:00:00.000Z
- Updated: 2022-08-04T15:31:12.000Z
- Author: Diego Eis
- Tags: Mercado de Tecnologia, #blog, Gestão e liderança de Produtos, Vida e comportamento, #Import 2024-11-06 15:43

Dizem de que o objetivo do trabalho não é apenas destinado para a produção econômica individual ou da sociedade, mas que ele também é peça chave da existência de uma identidade pessoal e também de proposta de vida. Isso se chama Workism.

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Ouvi esse termo primeiro pelo [Derek Thompson](https://en.wikipedia.org/wiki/Derek%5FThompson%5F%28journalist%29?ref=diegoeis.com), que é escritor do The Atlantic, [onde ele diz nesse artigo](https://www.theatlantic.com/ideas/archive/2019/02/religion-workism-making-americans-miserable/583441/?ref=diegoeis.com) que o Workism é uma espécie de religião, que adora o trabalho e o coloca em destaque. Essa religião prega que o trabalho não apenas dignifica o homem - como muitos falam por aí - mas traz significado para a vida das pessoas. Traz propósito.

O Cris Dias fez um capítulo do seu podcast com título de [*Você não é o seu crachá*](https://www.boanoiteinternet.com.br/2018/12/09/002-voce-nao-e-seu-cracha/?ref=diegoeis.com). Nesse capítulo do [Boa Noite Internet](https://www.boanoiteinternet.com.br/?ref=diegoeis.com), ele fala sobre a própria experiência de mudar totalmente a trajetória de vida quando decidiu sair do Facebook e deixou de ser conhecido como o *Cris do Facebook*. Nós damos tanto valor ao nosso trabalho e ao que fazemos profissionalmente, que mesmo sem querer, atrelamos nossa profissão à nossa identidade. Isso acontece o tempo inteiro e em todo o lugar, basta perceber quando você assiste o jornal: logo abaixo do nome da pessoa entrevistada sempre está a sua profissão ou quando conhecemos alguém, uma forma de puxar conversa é perguntar sobre *o que você faz*. São pequenos detalhes que mostram que a cultura do ser humano é sim tentar se dignificar por meio do trabalho. Isso é estranhíssimo, já que o trabalho é uma das maneiras mais efetivas de criar stress, depressão, insatisfação, busca por ter sempre mais e por aí vai.

## Uma transição necessária?

Ao mesmo tempo que o trabalho tem se tornado uma religião, existe um processo importante acontecendo e julgo que estamos numa transição importante e que vai impactar muito mais as novas gerações. Antes de chegar na era da automatização (onde supostamente todo mundo vai perder o emprego e morrer na rua da amargura), passaremos (e já estamos passando) por uma precarização do trabalho. Digamos que essa precarização é um degrau necessário, intermediário, para que as automatizações realmente comecem a atuar em um nível mais visível na vida normal das pessoas.

Quem está desempregado ou quem perdeu seu emprego tem procurado alternativas em serviços como Rappi, Uber, iFood e tantos outros. Sim, esses serviços são ideias maravilhosas. Mas ao mesmo tempo que esses serviços facilitam a vida de milhões de pessoas, um grande impacto social acontece para manter o sistema funcionando. Esses serviços empregam pessoas pagando o mínimo necessário. Mas quando não se tem opções decentes, qualquer opção serve, então as pessoas se agarram à estas opções disponíveis para tentar dar um respiro no bolso. Algumas empresas, como o iFood, são **muito** conscientes com essa questão e dão algum suporte para aliviar ou resolver problemas.

Mas não é muito difícil entender que um motorista de Uber poderá ser substituído [por um carro totalmente autônomo](https://techcrunch.com/2018/01/23/uber-ceo-hopes-to-have-self-driving-cars-in-service-in-18-months/?ref=diegoeis.com). E obviamente [não será só o motorista de Uber](https://www.forbes.com/sites/jeanbaptiste/2018/10/25/tesla-ceo-reiterates-plan-to-take-on-uber-lyft-with-autonomous-ridesharing-service/?ref=diegoeis.com#3872d4cd699d).

Logo, embora estejamos preocupados com a precarização do trabalho, eu entendo que isso é uma fase (rápida) da transição. Mas isso sou eu dando orelhada, não sendo especialista e nem estando inserido nesse mercado, além de estar sendo insensível.

## (Des)motivação

Então, enquanto várias pessoas tem valorizado o culto ao trabalho insano non-stop, outras estão lidando com uma nova realidade obrigada de desapego de algo que até então ajudava a se definir como pessoa, sendo forçado uma alternativa que além de dar o sustento para o pão de cada dia, ajude também a ganhar uma nova forma de se identificar e ter um propósito. Ou que pelo menos era algo que trazia comida na mesa e mantinha um teto para as crianças.

Pessoalmente eu acho que o trabalho enobrece o homem. Seja ele qual for. Um trabalho péssimo faz você se questionar mais sobre a vida. Um trabalho ótimo faz você se motivar.

*Existe um espectro de razões pelas quais as pessoas trabalham*, Neel Doshi e Lindsay McGregor em [Primed to Perform: How to Build the Highest Performing Cultures Through the Science of Total Motivation](https://amzn.to/3EPdiYh?ref=diegoeis.com).

[![](https://cdn.substack.com/image/fetch/w_1100,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F206601c7-019f-4f9c-8f4c-1929257f9a00_621x745.png)](https://cdn.substack.com/image/fetch/f%5Fauto,q%5Fauto:good,fl%5Fprogressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F206601c7-019f-4f9c-8f4c-1929257f9a00%5F621x745.png)

Eles definem os pontos de forma bem sucinta dividindo em duas vertentes: Motivações diretas e Motivações Indiretas:

As Motivações Diretas são:

- **Play**: O trabalho sozinho já provê motivação para fazê-lo. Você não precisa de nenhuma outra forma de motivação, seja intrínseca ou extrínseca. O próprio trabalho já é suficiente;
- **Purpose**: A valorização do impacto ou dos resultados que o trabalho fornece são a motivação para fazer o que deve ser feito;
- **Potential**: Impactos e valores secundários te ajudam a ganhar motivação para fazer o trabalho. Exemplo: esse trabalho me impulsiona sua carreira, ajuda a sociedade, etc;

As Motivações Indiretas são:

- **Emotional Pressure**: O motivo é completamente desconectado do trabalho. Culpa, por exemplo.
- **Economic Pressure**: Recompensa, medo de punições são exemplos de motivações para fazer o trabalho. Essas motivações estão separadas das suas crenças;
- **Inertia**: Fazer o trabalho apenas por que você já está fazendo. Conveniência. Você não identifica mais qual a fonte de motivação para fazê-lo;

As Motivações Diretas (play, purpose e potential) aumenta sua performance adaptativa e as Motivações Indiretas (emotional pressure, economic pressure e inertia) diminuem sua performance adaptativa. Isso quer dizer que é o melhor dos mundos se você não depender de qualquer outra motivação para fazer ou estar no trabalho, ou seja, ficar no nível **Play**, em vez de estar no outro lado do espectro, na **Inertia**.

A Lindsay ainda diz que a motivação total é a soma do peso das três motivações diretas, menos o peso das três motivações indiretas refletem a distância relativa entre você e o sentido do trabalho em si.

Trabalho nunca será desnecessário. Mesmo quando a maioria do trabalho for feita por robôs com as 3 leis do cérebro positronico, você ainda executará atividades que de alguma forma devolvem qualquer tipo de benefício pro mundo ou no mínimo para você. O trabalho está aí desde o início e existira até o fim. O que deve mudar é como lidamos com ele.

## Referências

- [Felicidade, propósito e satisfação suficiente - Blog do Diego Eis](https://diegoeis.com/felicidade-proposito-e-satisfacao-suficiente/)
- [How to build a high performing culture (slideshare.net)](https://www.slideshare.net/LindsayMcGregor/how-to-build-a-high-performing-culture-55438326?ref=diegoeis.com)
- [Não confunda trabalho com paixão, diz Scott Galloway | Brazil Journal](https://braziljournal.com/nao-confunda-trabalho-com-paixao-diz-scott-galloway?ref=diegoeis.com)
- [Workism: Employees Need to Understand the Role of Work In Their Lives (hrbartender.com)](https://www.hrbartender.com/2019/career-development/workism-employees-understand-work/?ref=diegoeis.com)
- [Workism: quando a paixão pelo trabalho passa dos limites? (vivendodefreela.com.br)](https://www.vivendodefreela.com.br/workism/?ref=diegoeis.com)