O que a concentração de riqueza tem a ver com democracia

Depois que comecei a me interessar um pouco sobre política e economia (o que aconteceu depois que comecei a investir), consegui entender como todo o sistema é interligado. É um sistema pautado por valores que se iniciaram nas bases e necessidades pessoais do ser humano e que hoje regem a forma como vivemos e interagimos como sociedade.

A democracia não é muito difícil de entender: a opinião pública é ou deveria ser representada pelos políticos que o povo escolhe, e então o governo toma as ações de acordo com os desejos do povo. E assim o povo (demos) detém o poder (kratos). Essa definição seria realmente maravilhosa se a democracia não fosse um valor tão fácil de deturpar.

Nós vemos essa perturbação da democracia todos os dias quando assistimos o jornal, onde empresas e os mais abastados manipulam de várias formas decisões que deveriam favorecer o povo em sua maioria, mas que na verdade os colocam em uma posição de desvantagem.

“É importante saber que os setores privilegiados e poderosos não gostam da democracia por alguns bons motivos: a democracia coloca o poder nas mãos do povo, e tira deles.” – Noam Chomnsky

Essa manipulação acontece por conta de um dos fatores mais importantes e latentes na sociedade: a desigualdade social. Esse é um assunto bem comum e você já deve ter lido um pouco sobre ele. Um dos ou talvez o motivo de existir a desigualdade é a concentração da riqueza e do poder nas mãos de poucas pessoas.

Assim como é fácil de entender o que significa democracia, também é fácil de entender que a concentração de riqueza gera concentração de poder. Exatamente por conta do que já comentamos anteriormente: os setores mais abastados conseguem manter seus interesses nas pessoas que estão governando e assim eles conseguem influenciar decisões e a legislação, que lhe favorecerão um ciclo contínuo e indefinido de aumento de riqueza e consequentemente de poder.

Obviamente não precisa ser um Sherlock Holmes para entender que esse ciclo é exatamente o contrário do que a democracia deveria ser.

“All for ourselves and nothing for other people, seems, in every age of the world, to have been vile maxim of the masters of mankind.” – A Riqueza das Nações - Adam Smith em 1776

Sempre houve em todos os países pressões de lados opostos: uma pressão vinda de baixo para cima, começando pelo povo para que a democracia e a liberdade sejam abundantes na sociedade. E a outra pressão criada pela “elite” de cima para baixo, buscando sempre obter o controle. Um dos motivos para haver essa queda de braço, é que se o estado fosse realmente democrático, certamente a maioria das pessoas, obviamente as mais pobres, eventualmente se organizariam e lutariam para “tomar” as riquezas do lado mais abastado. Não estou falando aqui de violência, golpe etc… Dado que se a democracia não fosse deturpada como falamos no início, essa luta seria por meios legislativos e políticos, pois realmente haveriam pessoas defendendo os interesses da maioria, o povo.

Credit Suisse Research Institute - The Global Wealth Report 2016

É interessante que esse receio do povo “tomar” as propriedades dos ricos não é algo novo, nem algo de 500 anos atrás, mas algo que vem desde muito antes. Aristóteles chegou na essa mesma conclusão, mas em vez de defender um governo de poucos, ele pregava que deveríamos diminuir a desigualdade por meio do Estado de Bem-estar. Logo, teoricamente, reduzindo a desigualdade e colocando todos os indivíduos num mesmo patamar, a democracia deveria ser uma ferramenta real de voz para o povo por meio dos representantes elegidos. Muito diferente da ideia do Governo oligárquico que o James Madison, o pai da da Constituição dos Estados Unidos pregava.

https://www.ted.com/talks/thomas_piketty_new_thoughts_on_capital_in_the_twenty_first_century

Esse assunto é interessantíssimo e gera uma série de discussões e pensamentos, por exemplo, sobre os regimes econômicos que regem os países, como o capitalismo que pode potencializar a desigualdade… ou até mesmo como a democracia, a política e a economia funcionariam num futuro hipotético onde uma boa parte das profissões seriam substituídas por robôs e aí entra toda a história do “basic income” e etc…

Quero deixar claro que não sou nenhum político, economista ou qualquer coisa do tipo, pelo contrário, eu não manjo NADA sobre esses assuntos… só achei interessante compartilhar com você. :-)

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