July 6, 2020

Anotação: O termo produto digital ainda faz sentido?

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O texto a seguir é uma anotação. Crua. Sem pretensão alguma de virar um artigo ou um capítulo de livro. É uma anotação feita para guardar uma ideia. Então, achei que seria legal compartilhar para você o que tenho ruminado nos últimos meses.

Quando falamos sobre Produtos, diretamente pensamos em algo físico, palpável, que você consegue usar e manipular com as suas mãos. Num mundo digital, o Produto não existe necessariamente no mundo físico. Você pode até usar algo físico (celular) para usar algo digital (software). O termo Produtos Digitais tenta tangibilizar algo que tecnicamente não existe no mundo físico. Então, o termo Produtos Digitais serve mais como uma analogia para algo do mundo real… como acontece com quase tudo no mundo da tecnologia. Copiar, colar, recortar, pastas, janelas, etc… tudo não passa de uma analogia do mundo real para conseguirmos tangibilizar algo do mundo digital.

O termo “Produtos Digitais” fez o seu trabalho. Na verdade, ele fez pela metade. Os clientes do Spotify, conhecem o Spotify como um app ora ouvir música. É muito difícil encontrar um usuário que irá dizer “eu uso o produto digital do Spotify pelo celular pra ouvir música”. Eles citariam o app, porque o app é a analogia que chega próximo ao produto físico. O termo Produtos Digitais remete a uma coisa manipulável, “palpável”, que ele enxerga e manipula. A gente aprisiona o uso a um produto e isso não é verdade. O serviço não está preso ao celular, mas pode ser acessado e usado por meio de vários canais. O próprio serviço do Spotify pode ser acessado pelo celular, desktop, relógio, Alexa, etc… Logo, você faz uso do serviço por meio de um produto.

Logo, o termo Produtos Digitais não poderia se tornar Serviços Digitais? Um Product Manager deveria se chamar Service Product Manager ou simplesmente Service Manager. Tendo uma visão de serviço, o Product Manager precisa transitar em outros níveis do serviço para potencializar os resultados e impactos do produto que ele faz gestão. Essa visão amplifica a atenção do PM, sem modificar muito suas responsabilidades atuais.

A sua peça de hardware ou de software faz parte de um conceito maior que se chama serviço. Do mesmo jeito que o Marketing saiu da ideia antiga de Bens de Consumo para Serviços, o mercado de software deve passar pelo mesmo processo de adaptação e amadurecimento, se familiarizando com um modelo de negócio baseado em serviço e não mais de produto.

Outro pedaço do rascunho dessa anotação

Esse não é um conceito novo, pelo contrário, é algo bem antigo. Se você já leu sobre Service-Dominant Logic já deve ter se deparado com isso. Ou melhor, se você já leu sobre Service Design ou Business Design, já conhece todo esse contexto.

A Apple deixou isso mais evidente agora, se posicionando como uma empresa de Serviços e não mais como uma empresa de hardware que junta software. A Apple usa o seu produto (físico ou digital) como um meio de execução e entrega do serviço que ela presta. Seus produtos são um meio para “desafiar o status-quo”. É a forma com que ela trabalha para executar o seu propósito e por fim a sua visão.