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October 11, 2021

Se acostumar com o digital é a única saída?

É muito interessante observar o comportamento das pessoas quando elas percebem a transição que estamos vivendo, sobre como a tecnologia está realmente mudando nosso comportamento humano. Ficamos confusos sobre diversos assuntos: privacidade, frequência de uso e consumo, saúde mental, ética… só pra citar alguns.

Por isso que ficamos horrorizados quando percebemos a quantidade de atenção que damos para as telas e serviços que consomem nosso tempo de forma tão escancarada, mas ao mesmo tempo sutil. E alguns até se questionam como será o futuro ou no que a humanidade se transformará por causa do excesso de informação (inútil ou útil, falsa ou verdadeira que explode nas nossas caras).

É uma hipnotização ansiosa. Como se fosse aquela roupa nova, ou o celular novo, ou qualquer outra coisa que acabamos de comprar e já estamos ansiosos para usar. Eu ficava assim quando comprava um tênis ou um video game na minha adolescência… já queria usar logo, experimentar, me afundar na novidade até enjoar… e era isso que acontecia: tempos depois a coisa esfriava e ela começava a fazer parte da minha vida. É aquela história da adaptação hedônica.

Quando esse frenesi das redes sociais deixar de ser uma novidade do jeito que conhecemos, a normalidade também estará mudada? Ou seja, a realidade de como vivemos, os artefatos que fazem parte do nosso dia a dia, também estarão sendo medidos e formados por valores diferentes dos de hoje?

Eu chuto que no futuro, a tecnologia será tão ubíqua no sentido de estar presente em praticamente TUDO (hoje não está em tudo) que conhecemos, que as pessoas já estarão tão acomodadas, que talvez elas serão pessoas menos hipnotizadas/vidradas que nós, de hoje em dia. As pessoas do futuro não estarão mais horrorizadas sobre o como as Big techs usam nossos dados… acho que essa (e outras preocupações atuais) serão uma coisa tão pequena diante de outros paradoxos éticos.

Eu não sei explicar isso e foi mal pelo devaneio mal escrito. Mas realmente eu acredito que não é possível lutar contra o que está acontecendo hoje. Acho que uma das saídas seria uma evolução dirigida, controlando o ambiente em vez da tecnologia em si, avançando o mais rápido possível, para que possamos evoluir e encontrar essa “nova consciência”.

Não estou dizendo para abraçarmos de olhos fechados a nova realidade, pelo contrário, estou dizendo para abraçarmos de olhos abertos, atentos, para entender o que há além desses pontos de desconforto e principalmente para localizarmos os pontos cegos.

Ouvi numa palestra da Denise Fraga, onde ela comenta que a utopia serve para fazer a gente caminhar. A utopia está no horizonte. E se você dá dois passos à frente, ela também dá dois passos a frente. E esse é o estímulo da Utopia para o ser humano: ela te estimula a caminhar, pra frente e pro futuro.

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