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June 10, 2022

Os apps da Apple são esmagados pela concorrência

Pelo menos é isso que um estudo apoiado pela própria Apple mostrou aqui: The Success of Third-Party Apps on the App Store (apple.com)

Across many app types, Apple’s own apps are rarely the most popular app of a particular type, and account for a small share of app usage

Eles mediram o engajamento baseado no tempo gasto nos aplicativos ou pelo número de usuários ativos diariamente, dependendo da proposta do aplicativo e dos dados disponíveis. Eles não mediram métricas de vaidade como downloads, por exemplo, por que a maioria dos apps originais da Apple vem pré-instalados.

Esse report analisa os aplicativos da Apple os apps de terceiros feitos mais populares e de vários tipos, quebrando por região e também os que melhor performaram de forma global, além das análises de diversos canais e tipos de consumo, não apenas mobile, mas TV, filmes, música e comunicação.

Faz muito sentido você ler o relatório, pelo simples fato absorver dados incríveis sobre diversos mercados e comportamento de usuário e seus dispositivos + consumo de conteúdo.

Alguns highlights:

  • A liderança de categorias varia de país para país, com alguns dos líderes que performam tanto de forma localizada quanto global.
  • Apps de terceiros são mais populares que os apps originais da apple na maioria das regiões para as principais categorias como streaming de música e filme, TV, leitura, comunicação e mapa;
  • Os apps originais da apple tem uma participação pequena de uso entre os donos de iPhone, mesmo que esses apps sejam pré-instalados no iPhone;
  • Há apenas um país, e apenas uma categoria, que um app da Apple é bastante utilizado: é o Apple Music, no Japão, com 55% de uso;
  • Os usuários, geralmente, utilizam vários apps dentro de uma mesma categoria, principalmente apps de comunicação. Eu mesmo uso o Telegram e Whatsapp, além de Slack. Para apps de vídeo, nem se fala, tenho vários instalados.

Eles detalharam bastante a metodologia utilizada. Como disse no início, eles não levaram em consideração para os estudos a quantidade de downloads… Mas eles comentaram que a quantidade de downloads é útil para medir o quanto é fácil e o quanto os usuários testam apps diferentes dentro de uma mesma categoria.

Dessa forma, eles buscaram medir pelo engajamento de uso. E a métrica de engajamento que eles escolheram foi o tempo gasto no app e número de usuários ativos, que foi calculado em diferentes intervalos de tempo (normalmente diário ou mensal). Aqui fica uma dica bem importante: a medida de engajamento apropriada depende da proposta de cada app ou de funcionalidades. Por exemplo: o tempo gasto em um app é relevante para apps de leitura, música, vídeo e apps que tem um modelo de negócio baseado em ads.

Mais uma dica interessante que peguei do relatório: para eles removerem o efeito de sazonalidade ou efeitos de qualquer tipo de transição, eles mediram mais do que um ano:

  • Entre Julho de 2020 e Junho de 2021, eles mediram o tempo de uso gasto e DAU (Daily Active Users);
  • Entre Julho 2019 e Junho 2021 eles mediram número de downloads;

Há algumas informações bem interessantes que mostram o quanto apps de uma mesma categoria tem utilizações bem diferentes: eles mediram que os apps Wattpad, Audible e Apple books tem números similares de DAU, com aproximadamente 60% mais daily active users que o Kindle. Mas, quando falamos de tempo gasto no app, o Wattpad (primeiro) e o Kindle (segundo) é usado muito mais que qualquer outro. Por que será? Será que os usuários dos outros usam o app só para consultar alguma coisa? Eu mesmo passo bastante tempo no Kindle lendo (ouvindo na verdade).

Tempo de uso para mim é uma das métricas mais importantes quando falamos de produto. Eu já falei bastante disso aqui, argumentando que o valor do produto/serviço só é percebido pelo uso. Se as pessoas não utilizam seu produto, eles não percebem valor. Eles não se tornam usuários retidos. Mas existem dois tipos de uso:

  • Um tipo de uso é aquele que a pessoa passa muito tempo no seu produto fuçando, mas ainda não percebeu valor, ainda não está utilizando as principais funcionalidades (exemplo: não tá ouvindo música, assistindo o filme, lendo o livro, postando foto)
  • O outro tipo é o que você percebe que o usuário está realmente utilizando aquela funcionalidade mais core do seu produto. A funcionalidade que resume o valor que o seu produto entrega: a pessoa está ouvindo, lendo, postando, assistindo… Ela pode até não “usar” extensivamente seu produto, mas ela está realmente “usando” o que é de principal e mais relevante do seu produto. É aqui que você quer chegar.

Já falei um pouco sobre engajamento e retenção aqui. Entendendo isso, você entende como seu produto gera valor pro negócio e sabe exatamente quais indicadores medir e sabendo quais indicadores medir, você sabe quais as alavancas você precisa potencializar. E vai descobrir que poucas coisas são relevantes. Aí fica simples de priorizar, argumentar, ser data-driven.

Você pode ver o estudo completo nesse PDF que a própria Apple disponibilizou: The Success of Third-Party Apps on the App Store (apple.com)

Livro Gestão Moderna de Produtos Serviços Digitais.

O Produto Digital como um meio de entregar valor para o usuário e para o negócio.

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